sábado, 9 de novembro de 2013

Começarei minha primeira postagem no blog trazendo para vocês uma resenha que fiz sobre o texto "Mateologia, zero. Matemática dez." do autor Nilson José Machado, mestre em História e Filosofia da Educação pela PUC (1981) e doutor em Filosofia da Educação pela USP (1989). Um dos textos mais interessantes que já pude ler sobre a arte de realmente ensinar matemática.

          O autor começa o texto citando a diferença entre matemática e mateologia. A primeira, trata-se de uma matéria ensinada em todas as escolas e com a qual todas as pessoas estão familiarizadas, desse modo mantêm com ela um alto grau de curiosidade, afinidade, amor, ódio... Já a mateologia trata-se do estudo inútil de assuntos superiores ao alcance do entendimento humano. Como para muitos a matemática causa estranheza e desconforto torna-se quase que inevitável a associação destas duas palavras.
            Comentando sobre tal associação, o autor cita a clássica situação em que o professor começará um novo tópico da matéria e recebe as seguintes indagações: “-E para que serve isso?”, “-De que que isso vai ajudar em minha vida?”. Dessa forma Nilson José Machado deixa bem claro um pensamento que todos os alunos têm; nada merece atenção se não tiver aplicação prática. Pensamento esse bastante tolo, pois limita conhecimento a aplicabilidade, quando na verdade qualquer tipo de conhecimento é muito importante. O autor ainda nos mostra o quanto é simples argumentar contra esse tipo de pensamento, mostrando as crianças a grande utilidade que a matemática tem na economia, na engenharia, na arquitetura, na área tecnológica. Porém, na verdade, a grande moral do que ensinamos para os alunos não está no fato dela ter utilidade, e sim em podermos ter uma visão mais ampla das questões que nos são propostas seja em sala de aula, ou no próprio cotidiano.
            Nilson utiliza a seguinte frase para nos fazer pensar a respeito da questão do signifigado versus aplicabilidade. “A matemática que levamos para a sala de aula somente "funciona" se for significativa para os alunos.”. Uma maneira de mostrarmos um significado pode estar em uma aplicação, mas não está só na aplicação. Por exemplo os exercícios apresentados aos alunos em sala de aula os estimulam a ter raciocínio rápido, a tirar conclusões a partir de dados do problema. Esse tipo de raciocínio rápido e conclusões tornam as crianças capazes de lidarem com situações muito mais complexas que com certeza irão aparecer em suas vidas.

            De acordo com o texto, fica claro perceber que é fácil mostrar ao aluno o significado que a matemática pode ter no campo das ciências; funcionando como ferramenta para a arquitetura, engenharia, economia, para as indústrias, porém encontramos muitas dificuldades de explicar o significado para temas mais específicos que constituem a matemática. Para essa questão o autor faz uma analogia brilhante, trazendo o exemplo de uma faca, que é um instrumento que serve para cortar, mas apenas a sua lâmina serve para este fim, o cabo não corta nada, porém serve como instrumento para segurarmos a lâmina. Dessa maneira podemos ver que o cabo, e a lâmina são como tópicos da matemática, pois apesar de nada cortar, o cabo é extremamente necessário para a aplicabilidade do instrumento, desse modo o autor nos mostra o quanto é importante aprender não só sobre as lâminas que a matemática oferece mas também sobre os cabos, para que enfim tenhamos um bom entendimento do funcionamento do instrumento, a matemática.

Túllio Plum Guimarães Monerat

domingo, 20 de outubro de 2013